Odeio tomar
vacina. Odeio muito mesmo. Tenho medo, minhas mãos suam frio, eu fico tremendo,
os barulhos dos plásticos me incomodam e aquele algodão com álcool me gela a
espinha. Mais do que picada em si e todo processo torturante o que eu mais
odeio, com todas as forças, é saber que durante alguns dias eu vou sentir
aquela dorzinha constante no braço. Aquela dorzinha chata, quase imperceptível,
mas que te deixa apreensivo o tempo inteiro, já que obviamente alguém vai
apertar seu braço, bem ali no furinho da agulha. E foi assim que eu percebi
minhas saudades hoje.
Sinto falta
dele todos os dias, em praticamente todas as coisas. É uma saudadezinhas mansa,
que quase não dói, mas quando aperta, fica aguda. Não sei da onde veio o
apertão hoje, mas veio forte, exatamente na ferida. Talvez esse tempo Netflix, o
feriado e a renovação do passaporte. Acordei me sentindo sozinha e ao longo das
horas desse dia lento sinto que só piora. E não adianta só ele resolveria.
Nessas três
semaninhas não me incomodei em ficar só, apenas estranho não ter um
companheiro. Fico meio perdida quando não quero estar sozinha, porque pela
primeira vez em três anos tenho que “pedir” para alguém estar comigo, convidar,
ouvir não e seguir com meus planos. Essa incerteza do acompanhamento me
incomoda, mas acredito ser pura falta de costume. O que me machuca de verdade é
não ter ele, em qualquer momento para qualquer coisa.
Chegar a
essa conclusão tão crua me faz mal. Sinto-me dependente e fraca, parece que só
estarei 100% feliz quando ele voltar. Obrigo-me a não fazer contagens
regressivas mas faço, todos os dias quando risco o calendário um sorriso
involuntário cruza meus lábios. E até agora consegui segurar bem todo o avalanche
de emoções, mas não dá mais.
Ontem o
tempo veio à tona: três semanas que ele foi. Não passa! Parece que os
apertões aumentam. Não estou mais “bem”, não estou me encontrando, a
cada dia sinto que eu me perco mais um pouco. Está difícil manter o foco e a parte boa
dessa distância toda me parece uma grande falácia. Só queria fechar os olhos e
sumir um pouquinho dentro de mim mesma.
Quem sabe
esse feriado não esteja ai para isso? Não posso mais me recusar a sentir a dor.
Vou abraça-la, sentir, desmoronar e me montar de volta. Vou deixar a Sra.
Tristeza se apossar um pouco da minha casa-coração, colocar as coisinhas no
lugar e se aconchegar para que as pontas afiadas sumam aos poucos e esse pavor vire "apenas" melancolia, quem sabe assim venha a inspiração e o sofrimento vire samba.
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