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| Desenho por: Giulia Fioratti Arte https://www.facebook.com/pages/Giulia-Fioratti-Arte/383745408383298?fref=ts&ref=br_tf |
No cumprimento
das metas, aproveitei o domingo ensolarado para desfrutar do Jazz ao ar livre
no parque Ibirapuera. Eu, um vinho verde, muitas cervejas e alguns amigos, que eram todos de universos paralelos um dos outros.
A música boa, o clima agradável e os bons papos tornaram o domingo depre em um
dia mais que agradável e nada mais justo, que em um dia tão maravilhoso, uma
coisa tão maravilhosa acontecer.
Não sou a
maior frequentadora de festivais do mundo, mas em quesitos shows (em geral) me
considero bastante presente. Gosto de shows de quaisquer aspectos, desde os de
graça aos que você precisa comprar aquelas fichinhas, criando a falsa
impressão que sua cerveja custa apenas dois dinheiros, quando na verdade custa
dez. Independe do estilo, local ou preço do show, o público feminino sempre
sofre com uma coisa em comum: xixi.
Se existe
banheiro limpo haverá fila, se não há fila também não há papel. Se tem banheiro
químico sempre são poucos, muito sujos e o papel...piada, ne? Acho que o mundo
ainda não entendeu que para nós mulheres (cis, para as trans é muito mais
difícil pelo simples fatos de muitas serem expulsas ou proibidas de entrarem
nos banheiros que têm direito) xixi nunca é tão simples, não apenas pelo fato da nossa higiene íntima ser mais complexa, mas também porque, assim como
todas as outras coisas relacionadas ao universo feminino, é tabu.
As moitas,
as árvores, os muros, pertencem ao xixi, opa! Xixi não! Mijo! mijo masculino. Esses espaços são claramente dos homens e se a
gente tenta entrar é um deus nos acuda. É nojento ver uma menina fazer xixi na
rua, uma porca, coitada, com certeza está bêbada. Já os homens...ai esses “danadinhos”!
Aaah vá! Poupe-me.
Foi então que nesse domingo, no desespero do xixi presas na caótica fila dos banheiros químicos, eu e uma amiga (dona dos desenhos maravilhosos que eu compartilho com meus textos na tentativa de deixa-los mais bonitos) cansamos e decidimos
ocupar nosso espaço de direito no matinho. Saímos da fila determinadas e
encontramos um espaço meio escondido onde dois mocinhos já faziam seu xixis,
quero dizer, mijavam, barulhentos e orgulhosos das suas cachoeiras nada
discretas. Na hora de entrar congelamos, ficamos ali nos perguntando se não era
muito claro, muito perto, muito vergonhoso. Ficamos ali discutindo os próximos
passos da nossa pequena revolução até sermos interrompidas por um casal. A menina
segurou o meu braço e disse: “Vocês também querem fazer xixi ai? Vamos juntas!
Amor, guarda a porta!”.
Um
calorzinho invadiu o peito: “Vamos juntas”. E fomos, mas antes de entrarmos
fomos interrompidas novamente, outra mana: “Posso ir com vocês?”. Nos animamos
mais: “Claro”. E o outro amor foi guardar a outra porta. Ficamos ali, as quatro
agachadas fazendo xixi e rindo da nossa nova conquista. Rolou um comentário
machistinha do lado, que logo foi cortado por um dos amores que vigiava a “porta”:
“Deixa de ser escroto, é só xixi”.
“É só xixi”.
Algo tão simples que, pra variar, tanto complicam. Fiquei aliviada, em todos os
sentidos, me senti empoderada e acima de tudo, acompanhada. Parece um relato
idiota, mas foi lindo. Energizou minha luta e crença que nos mulheres
pertencemos a todos os espaços.
Sei que ainda é um grande problema sanitário a história
das necessidades em shows, festivais, carnavais e afins. Mas enquanto não
encontram uma solução para isso, o matinho também é nosso!

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