quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Glacial - temperatura de despedidas

Desenho por: Giulia Fioratti Arte
https://www.facebook.com/pages/Giulia-Fioratti-Arte/383745408383298
Já cansei de começar a escrever textos sobre isso...de iniciar linhas tentando descrever meus sentimentos, sentir diferentes tipos de desespero e parar, sem formar direito nem um parágrafo. Normalmente as palavras fluem bem quando me sinto melancólia, mas não se trata mais de uma mera tristeza constante, que bate lá no fundo. Não sinto que estou dentro de uma caverna assistindo em silêncio o reflexo de uma luz azul dançar na água turva de um rio barrento, sinto na verdade que sou obrigada a dar pulos de certos em certos intervalos em um lago congelante. Me vejo parada na terra enlameada, até que corro e me jogo dentro da água hipotérmica. Sinto cada parte do meu corpo entrar em choque, as pontadas começam nos dedinhos dos pés, sobem as canelas, os joelhos gordinhos, as coxas, a cintura, me torturam no umbigo, passam pelos seios e param, param bem ali no coração. E aí que mais machuca, vejo o gelo entrar devagarinho, entrar pela minha pele, por meus ossos, embrulhar meu coração e fazer, ao contrário do que se espera, ele acelerar. Ele bate forte e desritmado, até começar a doer muito, me vira o estômago, me estrangula a garganta e me dói os ouvidos. Não vejo outro jeito que não me deixar ali, mergulhada em agonia. Até surgir sua mão e, esquecendo porque eu pulei, eu a agarro, seguro com toda a força e sou salva do afogamento. Me sinto esquentar: "são poucos meses", "vamos nos ver", "existe skype", "tem o carnaval", "você tem tantos amigos". O calor começa a ocupar minhas entranhas, respiro retomando o alívio...mas dura pouco. Dura o tempo de me levantar e ainda molhada olhar pra água escura, tomar impulso e me jogar novamente, na esperança que uma vez no fundo haja sempre sua mão constantemente me puxando para o respiro, não quero me dar o tempo de te ver andando pela borda, cruzando para o outro lado, onde meus dedos não alcançam mais os seus. Prefiro ver do fundo raios de luz dançando na água enquanto eu congelo, já conclui que nada pode me doer mais do que a falta de você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário