segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ventos uivantes


Nos meus ouvidos, palavras pesam muito. Pesam tanto que quando elas atingem meu tímpano já começam a mexer com meu corpo todo, sinto elas escorregarem para dentro e deslizarem segundo sua intensidade para caminhos diversos. Muitas param na minha garganta e ficam lá por muito tempo, outras descem para meu estômago e algumas se alocam no meu coração. Óbvio que têm aquelas que só entram por um lado e saem pelo outro, mas a maioria causa ecos na minha boca, formigamentos nas minhas mãos e pés e não raro lágrimas, tristes e alegres.
Infelizmente para nós mulheres as palavras são muito mais duras, já que nossa língua é feita pelos homens para os homens. Existem diversas maneiras de humilhar uma mulher usando apenas uma palavra, assim como existem diversas maneiras de humilhar um homem utilizando palavras que se referem ao universo feminino. E mesmo quando nossa intenção é boa esse machismo intrínseco da nossa língua aparece nas nossas falas e machuca, machuca muito.
Quando se está em um relacionamento monogâmico e hetero todas as piadinhas sobre seu namoro serão machistas. TODAS. E depois de três anos, eu deixei essas palavras em uma espécie de automático: pulem de um ouvido para o outro e vazem queridinhas. Mas mesmo com essa regra pessoal, sempre haverá exceções, que costumam aparecer quando eu estou em um estado mais sensível e meus combinados internos falham.
O momento que estou vivendo é extremamente sensível. Tudo me emociona e tudo me faz lembrar da distância que está chegando (faltam horas), então selecionar as palavras que me tocam não está sendo nada fácil. E como é óbvio para todo mundo como a situação é difícil, todos querem “ajudar”, me dar conselhos e tentar tirar esse meu aperto por meio do humor. Mas olha...tá difícil.
Me sinto egoísta escrevendo isso, mas acho que nesse momento eu posso ser, vai...Só um pouquinho. Sei que não é por maldade, ou pelo menos não sempre, mas prestem atenção nas suas falas quando você sabe que a situação para o outro não tem o mesmo significado que para você. Uma piadinha pode machucar muito, sua “torcida” pelo meu namoro me traz questionamentos e preocupações que eu nem tinha parado para pensar, as histórias todas de separação que você acha uma ótima ideia me contar só me deixam mais aflita, seu “adeus até ele voltar” me diminui, as holandezinhas que você faz questão de falar que são maravilhosas, altas e loiras, prejudicam minha autoestima, assim como afirmar que graças ao meu tempo livre agora eu finalmente vou conseguir emagrecer.
Já falta tanta empatia e amor nesse mundo...que tal  praticar isso quando a gente está tentando ajudar alguém? Já escrevi aqui, sinceridade nua e crua não é bom para ninguém, só serve para aliviar quem “precisa” falar e desculpas, mas nesse momento ouvir é a última coisa que eu mereço. Agradeço a preocupação, mas não vou agradecer o que me faz mal.
Estou aprendendo na prática que um abraço é mil vezes melhor que qualquer palavra e acho que por isso que escolhi namorar quem eu namoro. Me apaixonei por alguém bem quietinho mesmo, mas que nunca falha em me reconfortar, do melhor jeito possível...no silêncio.  

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