Nos meus
ouvidos, palavras pesam muito. Pesam tanto que quando elas atingem meu tímpano já
começam a mexer com meu corpo todo, sinto elas escorregarem para dentro e
deslizarem segundo sua intensidade para caminhos diversos. Muitas param na
minha garganta e ficam lá por muito tempo, outras descem para meu estômago e
algumas se alocam no meu coração. Óbvio que têm aquelas que só entram por um
lado e saem pelo outro, mas a maioria causa ecos na minha boca, formigamentos
nas minhas mãos e pés e não raro lágrimas, tristes e alegres.
Infelizmente
para nós mulheres as palavras são muito mais duras, já que nossa língua é feita pelos homens para os homens. Existem diversas maneiras de humilhar uma mulher
usando apenas uma palavra, assim como existem diversas maneiras de humilhar um
homem utilizando palavras que se referem ao universo feminino. E mesmo quando
nossa intenção é boa esse machismo intrínseco da nossa língua aparece nas nossas
falas e machuca, machuca muito.
Quando se
está em um relacionamento monogâmico e hetero todas as piadinhas sobre seu
namoro serão machistas. TODAS. E depois de três anos, eu deixei essas palavras em
uma espécie de automático: pulem de um ouvido para o outro e vazem queridinhas.
Mas mesmo com essa regra pessoal, sempre haverá exceções, que costumam aparecer
quando eu estou em um estado mais sensível e meus combinados internos falham.
O momento
que estou vivendo é extremamente sensível. Tudo me emociona e tudo me faz
lembrar da distância que está chegando (faltam horas), então selecionar as
palavras que me tocam não está sendo nada fácil. E como é óbvio para todo mundo
como a situação é difícil, todos querem “ajudar”, me dar conselhos e tentar
tirar esse meu aperto por meio do humor. Mas olha...tá difícil.
Me sinto
egoísta escrevendo isso, mas acho que nesse momento eu posso ser, vai...Só um
pouquinho. Sei que não é por maldade, ou pelo menos não sempre, mas prestem atenção
nas suas falas quando você sabe que a situação para o outro não tem o mesmo
significado que para você. Uma piadinha pode machucar muito, sua “torcida” pelo
meu namoro me traz questionamentos e preocupações que eu nem tinha parado para
pensar, as histórias todas de separação que você acha uma ótima ideia me contar
só me deixam mais aflita, seu “adeus até ele voltar” me diminui, as holandezinhas
que você faz questão de falar que são maravilhosas, altas e loiras, prejudicam
minha autoestima, assim como afirmar que graças ao meu tempo livre agora eu
finalmente vou conseguir emagrecer.
Já falta tanta
empatia e amor nesse mundo...que tal praticar isso quando a gente está tentando
ajudar alguém? Já escrevi aqui, sinceridade nua e crua não é bom para ninguém,
só serve para aliviar quem “precisa” falar e desculpas, mas nesse momento ouvir é a
última coisa que eu mereço. Agradeço a preocupação, mas não vou agradecer o que
me faz mal.
Estou
aprendendo na prática que um abraço é mil vezes melhor que qualquer palavra e
acho que por isso que escolhi namorar quem eu namoro. Me apaixonei por alguém
bem quietinho mesmo, mas que nunca falha em me reconfortar, do melhor jeito possível...no
silêncio.

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